segunda-feira, 16 de fevereiro de 2015


UTOPIA DE CARNAVAL

Quero o mundo livre
da mesmice e da tolice
do descaso com a vida
da turbulência da violência
da fome e da doença
da falta de amor e da dor
da indiferença com a natureza
da ignorância e da pobreza.
Quero o mundo livre e girando
junto com estrelas e planetas
fazendo sempre parte do universo
contribuindo para que a vida seja
uma luz que se veja de uma paz verdadeira
que acenda a certeza dessa primeira
que apague as ilusões dos vilões
que faça do ser humano consciente
que estar aqui tem uma razão certa
e no seu entender que ele aprenda a viver.
Não deixe o mundo morrer nosso entender
o mundo pode ser livre pra gente viver
os povos em união, música no coração
poesia é um mundo novo
um mundo livre aonde existe história
onde a respiração e a inspiração
de uma raça que evoluiu e permitiu
à humanidade sua consagração.
Rosângela de Carvalho II
16 Fevereiro 2015

Toco um toque com os dedos
em seus segredos
pois eu não tenho segredos
que possam segurar a minha língua
quando canto o meu canto de vida.
As cordas vibram nesse corpo que transpira
praticando em cada nota que acentuo
como inspiração pra levitar e penetrar
nos seus ouvidos.
Sinta minhas palavras obscenas
envolvendo o seu corpo em meio a cena
em que um violão com suas curvas
pratica um estudo que te deixa mudo
por uns instantes e depois
geme e grita quando explode em prazer
a música
generosa e tão gostosa
como a brisa que alivia
o silêncio da praia
solidão é só uma miragem.
Rosângela de Carvalho II
JANTAMOS NOS
Noite folgo em prazer
cada lambida no meu ventre
é um novo fogo uma semente
que germina na menina dos olhos.
Esse desejo libertário serve a cama e a mesa
aonde os vivos sentam-se e se servem
do vinho vermelho e festejam
comendo cada pedaço de carne
com essa boca que me beija.
Com essa mesma boca uma voz
que rouca de fumar
não dispensa o que pensa ter de rogado
um garçon serve numa bandeja
um licor, um conhaque e uma cerveja
rasga minha roupa e me devora
antes que eu vá embora
as luzes do palco se acendem
estou diante de um filme
em que não há uma plateia
só o escuro teu corpo ereto puro
mas o nosso show é premiado
só nós sabemos o enredo
do que nos foi destinado.
Rosângela de Carvalho II
Boca a boca
língua na boca do outro
língua do outro na boca de outra
poliglota língua universal
palavra sentido expressão
intenção tesão composição
corpos se misturam com as letras
que a boca sussurra com enfase
o que faz sentir o ato correlato
ser um retrato de uma imagem natural.
Por que escondem tantos desejos?
A boca fala
a cabeça pensa
a cabeça fala
a boca não pensa
a boca fala
canta e grita
a cabeça pulsa
palpita
queria segurar o tempo
nesse contratempo
chegar de novo
ao beijo
retomar o ar e voar
ao céu da tua boca
na embocadura e tocar
a música do prazer
boca a boca seja interminável
esse gozar inenarrável.
17 Fevereiro 2015
Rosângela de Carvalho II

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

Tá dominado?
tá comandado?
tá arrasado?
tá sendo um fardo?
tá lembrando de algo?
tá esquecendo de tudo?
tá ficando cansado?
tá esperando alguém te chamar?
tá pensando na bezerra?
tá sentindo muito calor?
tá ficando sem grana?
tá rolando na cama?
tá sem expectativa?
tá com dor de barriga?
tá sem graça?
tá pensando que isso tudo passa?
em?
antes de tudo conta até cem.
Rosângela de Carvalho Fughetta
12 Fevereiro 2015

 Primeiro ato de boca

 

Uma boca tocou nos meus lábios sua língua
como uma cobra rastejando na minha terra
como um sinal que avisava à todas as células
de um desejo que estava me possuindo.
Toque de seda que mata a sede sua rede
foi me envolvendo a cada movimento
e quando percebi já estava dentro
de um processo natural e lento.
Essa boca percorreu todo o caminho
de poesia e de fato
pois ela provou do meu sabor
nas leituras de cada pedaço
Depois falou ao meu ouvido
palavras que são difíceis de esquecer
ensinou pra minha boca
como é bom de se dizer
daqueles momentos eternos de prazer
Boca com boca não é oca
tem dentro delas um renascer
de um silêncio de encantamento
que não é por falta de ter o que dizer

.
Rosângela de Carvalho Fughetta
12 Fevereiro 2015