JANTAMOS NOS
Noite folgo em prazer
cada lambida no meu ventre
é um novo fogo uma semente
que germina na menina dos olhos.
Esse desejo libertário serve a cama e a mesa
aonde os vivos sentam-se e se servem
do vinho vermelho e festejam
comendo cada pedaço de carne
com essa boca que me beija.
Com essa mesma boca uma voz
que rouca de fumar
não dispensa o que pensa ter de rogado
um garçon serve numa bandeja
um licor, um conhaque e uma cerveja
rasga minha roupa e me devora
antes que eu vá embora
as luzes do palco se acendem
estou diante de um filme
em que não há uma plateia
só o escuro teu corpo ereto puro
mas o nosso show é premiado
só nós sabemos o enredo
do que nos foi destinado.
Rosângela de Carvalho II

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