quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015

 Primeiro ato de boca

 

Uma boca tocou nos meus lábios sua língua
como uma cobra rastejando na minha terra
como um sinal que avisava à todas as células
de um desejo que estava me possuindo.
Toque de seda que mata a sede sua rede
foi me envolvendo a cada movimento
e quando percebi já estava dentro
de um processo natural e lento.
Essa boca percorreu todo o caminho
de poesia e de fato
pois ela provou do meu sabor
nas leituras de cada pedaço
Depois falou ao meu ouvido
palavras que são difíceis de esquecer
ensinou pra minha boca
como é bom de se dizer
daqueles momentos eternos de prazer
Boca com boca não é oca
tem dentro delas um renascer
de um silêncio de encantamento
que não é por falta de ter o que dizer

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Rosângela de Carvalho Fughetta
12 Fevereiro 2015

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